No sertão de Alagoas, às margens do Rio São Francisco e bem na divisa com Sergipe, existe uma cidade que reúne história, natureza e cultura como poucos lugares no Brasil: Piranhas. Tombada pelo IPHAN, palco do fim do cangaço e porta de entrada para os Cânions do Xingó, ela é um dos destinos mais surpreendentes da região SEALBA — e um dos que mais crescem no turismo do Nordeste.
Onde fica e por que visitar
Piranhas está encravada no sertão alagoano, cortada pelo Rio São Francisco, em plena caatinga e a poucos quilômetros da divisa com Sergipe. O centro histórico, na parte baixa às margens do rio, foi tombado pelo IPHAN em 2004 — e não por acaso: casario colonial colorido, ruas de pedra e o Velho Chico emoldurando a paisagem. É ali que ficam as melhores pousadas, restaurantes e o píer de onde partem os passeios.
Piranhas reúne em um só lugar o que normalmente se procura em vários: história viva, natureza imponente e a cultura do sertão.
Os Cânions do Xingó
A principal atração da região são os Cânions do Rio São Francisco, também chamados de Cânions do Xingó — o quinto maior cânion navegável do mundo. As paredes de rocha despencam sobre águas de um verde profundo, formando um cenário que parece de outro planeta. O passeio é feito de catamarã ou lancha e dura cerca de três horas.
Curiosamente, essa paisagem é recente: ela só existe por causa da construção da Usina de Xingó. O represamento elevou as águas em até dez metros, alagando a caatinga e deixando à mostra apenas o topo das montanhas — o que vemos hoje. As duas bases tradicionais para o passeio são Piranhas, em Alagoas, e Canindé de São Francisco, em Sergipe.
A Rota do Cangaço e a Grota do Angico
Para quem gosta de história, a Rota do Cangaço é imperdível. O passeio parte do porto de Piranhas e navega cerca de 12 km pelo São Francisco até o Espaço Angicos, refazendo o trajeto que a polícia volante percorreu em 1938 para emboscar Lampião e seu bando.
De lá, uma trilha curta pela caatinga (de 680 m a 1,5 km, dependendo do ponto de partida) leva à Grota do Angico, já no município de Poço Redondo, em Sergipe. Foi ali, na madrugada de 28 de julho de 1938, que Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros foram mortos. Hoje, três cruzes marcam o local — e ainda é possível ver marcas de bala incrustadas nas rochas.
O que mais fazer em Piranhas
- Centro Histórico. Caminhe pelas ladeiras, suba aos mirantes e visite o Museu do Sertão e a torre — o melhor é fazer no fim da tarde, com o pôr do sol sobre o rio.
- Prainha de Piranhas. Às margens do rio, com área de banho demarcada por boias, guarda-sóis e bares servindo comida e bebida a poucos metros da água.
- Gastronomia. À noite, o centro vira point: mesas nas ruas, forró e restaurantes para todos os gostos — especialmente nos fins de semana e feriados.
- Gruta do Talhado. Um braço estreito e profundo do cânion, frequentemente incluído nos passeios de barco.
Quando ir e como chegar
A melhor época para visitar é a estação seca, entre junho e setembro, quando as temperaturas são mais amenas e as trilhas, mais confortáveis. O acesso é por carro: de Maceió são cerca de 280 km (3 a 4 horas), seguindo pela BR-101 e depois para Piranhas; de Aracaju, o caminho passa por Canindé de São Francisco, em Sergipe.
Para a trilha do cangaço, leve roupas leves, tênis, protetor solar, boné e água. Os passeios de barco costumam sair pela manhã (o tradicional de catamarã sai por volta das 9h), então vale chegar à cidade na véspera.
Piranhas e a região SEALBA
Piranhas mostra uma face do SEALBA que vai além do agronegócio: a do turismo, da cultura e da história. A mesma região que produz leite, soja, milho e laranja guarda um dos cenários naturais mais impressionantes do Nordeste e um capítulo decisivo da história do Brasil. É esse conjunto — campo produtivo, natureza e cultura — que faz da nova fronteira agrícola um território com muito mais a oferecer do que se imagina.